domingo, 27 de março de 2011

Desapropriar, desmaterializar, desmonetizar: três tendências modificando o comportamento jovem

Xchange-fashion-swap
Intercâmbio de roupas no Japão, expressão da desapropriação. Imagem: ©Japan for sustainability 

Esta questão vem ganhando força há alguns anos no mundo verde e já foi mencionada em diversos artigos de Descubra o Verde Por que as experiências, e não os bens materiais, podem comprar a felicidade: os seres humanos finalmente começaram a entender que a posse de objetos não leva a uma melhor qualidade de vida. Muito pelo contrário: quanto mais se deseja as coisas, mais é preciso trabalhar para consegui-las e mantê-las, o que acarreta perda de qualidade de vida e de um tempo valioso para atividades criativas ou familiares.
Diante desta questão, a Resurgence (vía TreeHugger) relata três tendências que estão se desenvolvendo com mais força no Japão, apesar de também se aplicarem aos segmentos jovens de todo o mundo. 
São elas a desapropriação, a desmaterialização e a desmonetização. Os argumentos apontam para uma mudança de mentalidade, apesar da associação óbvia com a crise econômica (que faz com que as pessoas gastem menos dinheiro).
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A primeira, desapropiação, está ligada à redução da quantidade de coisas que desejamos. Os bens materiais de todo tipo costumam ser símbolos de status, mas as novas gerações já começam a pensar de outra forma, considerando-os como obstáculos e preocupações adicionais. Os serviços de aluguel, o empréstimo de carros e as caronas compartilhadas sustentam esta idéia, tornando menos atraente a posse de “coisas novas”.
Em segundo lugar está a chamada desmaterialização, que busca desassociar a felicidade da posse de bens materiais. O conceito aparece em diversos estudos que afirmam que a felicidade está mais ligada à riqueza das relações humanas, à superação pessoal e à conexão com a natureza do que ao consumo, algo que um número crescente de pessoas começa a comprovar em seu dia a dia.
Este conceito surge com clareza no crescimento e aceitação de comunidades ricas em relacionamentos humanos (que mencionamos em projetos como Rethinking e das “comunidades em transição”, assim como na retomada de eventos e atividades que estimulem o relacionamento com os vizinhos. 
Finalmente, a tendência da desmonetização vai na contramão do costume de planejar a vida em torno da quantidade de dinheiro que se ganha. Agora, os jovens passar a dedicar mais tempo a atividades que gerem satisfação pessoal em vez de apenas dinheiro.
Estas tendências não são novas e se expressam em projetos e no comportamento das pessoas ao redor do mundo. No entanto, é interessante nomear estes movimentos de mudança cultural para visualizá-los com maior clareza.
Como menciona o jornalista Junko Edahiro em seu artigo, o crescimento destas tendências ataca diretamente as empresas que continuam focadas em vender mais e mais produtos como principal modelo econômico.

sábado, 12 de março de 2011

Pesquisa Avançada do GMAIL: Use o Gmail e seja feliz!!

Tou aqui pensando que daria pra escrever um livro de autoajuda só com esta informação.
É comum passar desapercebido por nós as possibilidades de muitos programas que usamos cotidianamente, mas que as vezes não nos detemos para entender o que ele nos oferece além, por exemplo, de enviar ou receber emails..
Tenho tentado aprender já há algum tempo os comandos que o GMAIL usa para encontrar e organizar os emails tanto em minha "caixa de entrada", quanto nas suas pastas ou indicadores.
Colei abaixo dois artigos, um do site do Google, sobre como funcionam estes comandos, um bom exemplo é o comando:
is:unread
que quando digitado na caixa de busca do Gmail, ele apresenta a pesquisa com todos os emails não lidos, sejam eles arquivados (retirados da caixa de entrada), ou arquivados com indicadores.
Enfim.. são muitos.. :)


Como usar a pesquisa avançada


Os operadores de pesquisa avançada são palavras de consulta ou símbolos que executam ações especiais na pesquisa do Gmail. Esses operadores permitem que você encontre o que procura de forma rápida e precisa. Também podem ser usados para configurar filtros para que você possa organizar sua Caixa de entrada automaticamente. Veja, a seguir, alguns dos operadores mais úteis.Você também pode utilizar os operadores de pesquisa avançada clicando em Mostrar opções de pesquisa, abaixo da caixa de pesquisa do Gmail.

Operador
Configuração
Exemplo(s)
from:
Utilizado para especificar o remetente
Exemplo - from:ana
Significado - Mensagens de Ana
to:
Utilizado para especificar um destinatário
Exemplo: to:daniel
Significado: todas as mensagens que foram enviadas ao Daniel (por você ou outra pessoa)
subject:
Pesquisar palavras na linha do assunto
Exemplo - subject:jantar
Significado - Mensagens que têm a palavra "jantar" no assunto
OR
Pesquisar mensagens que correspondam ao termo A ou ao termo B*
*OR deve estar em caixa alta
Exemplo: from:ana OR from:daniel
Significado - Mensagens de Ana ou de Daniel
-
(hífen)
Utilizado para excluir mensagens de sua pesquisa
Exemplo - jantar -filme
Significado - Mensagens que contém a palavra "jantar" mas não contém...... a palavra "filme"
label:
Pesquisar por mensagens por marcador*
*Não existem operadores de pesquisa para mensagens não marcadas
Exemplo: from:ana label:amigos
Significado - Mensagens de Ana que têm o marcador"amigos"Exemplo - from:daniel label:minha família
Significado - Mensagens de Daniel que têm o marcador "Minha Família"
has:attachment
Pesquisar mensagens com anexo
Exemplo - from:daniel has:attachment 
Significado - Mensagens de Daniel que contêm umanexo
lista:
Pesquisa por mensagens nas listas de e-mails
Exemplo -list:info@exemplo.com 
Significado - Mensagens com as palavras info@example.com no cabeçalho, enviadas para ou dessa lista
filename:
Pesquisar um anexo por nome ou tipo
Exemplo -filename:deverdefísica.txt
Significado - Mensagens com um anexo chamado "deverdefisica.txt"
Exemplo - label:trabalho filename:pdf
Significado - Mensagens marcadas como "trabalho" que também têm um arquivo de PDF em anexo
" "
(aspas)
Utilizadas para pesquisar uma frase exata*
*Não há distinção entre letras maiúsculas e minúsculas
Exemplo - "estou com sorte"
Significado - Mensagens contendo a frase "estou com sorte" ou "Estou com sorte"
Exemplo - subject:"jantar e um filme"
Significado - Mensagens contendo a frase "jantar e um filme" no assunto
( )
Utilizado para agrupar palavras
Utilizado para especificar termos que não devem ser excluídos
Exemplo - from:ana (jantar OR filme)
Significado - Mensagens de Ana que contêm a palavra "jantar" ou a palavra "filme"
Exemplo - subject:(jantar filme)
Significado: Mensagens nas quais o assunto contém ambas as palavras "jantar" e a palavra "filme"
in:anywhere
Pesquisa mensagens em qualquer lugar no Gmail*
*Por padrão, as mensagens das seções Spam e Lixeira são excluídas das pesquisas
Exemplo - in:anywhere :filme 
Significado - Mensagens emTodos os e-mails Spam eLixeira que contêm a palavra "filme"
in:inbox
in:trash
in:spam
Pesquisar mensagens nas seções Caixa de EntradaLixeira ou Spam
Exemplo - in:trash from:ana
Significado - Mensagens de Ana que estão na Lixeira
is:starred
is:unread
is:read
Pesquisar mensagens marcadas com uma estrela, não lidas ou lidas
Exemplo - is:read is:starred from:Daniel
Significado - Mensagens de Daniel que foram lidas e estão marcadas com uma estrela
cc:
bcc:
Utilizado para especificar destinatários nos campos*Cc: ou Cco:
Pesquisa em Cco: não é possível detectar mensagens enviadas a você pelo campo Cco (mensagens recebidas sem o conhecimento dos outros destinatários)
Exemplo - cc:daniel 
Significado - Mensagens que foram copiadas para Daniel
after:
before:
Pesquisar mensagens enviadas durante um período*
*As datas devem estar no formato aaaa/mm/dd.
Exemplo - after:2004/04/16 before:2004/04/18 
Significado - Mensagens enviadas entre 16 de abril de 2004 e 18 de abril de 2004.*
*Mais precisamente: Mensagens enviadas após às 12:00 (ou 00:00) do dia 16 de abril de 204 e antes de 18 de abril de 2004.
is:chat
Pesquisar mensagens de bate-papo
Exemplo - is:chat macaco
Significado - Qualquer mensagem de bate-papo com a palavra "macaco".

Muitos usuários fazem download dos emails pelo Outlook ou Thunderbird e depois usam outros programas para buscar as mensagens no desktop.
Muito sensato, claro.
Mas, se você utiliza o GMail, saiba que na própria interface web existem ferramentas de busca bem poderosas.
Vamos dar uma olhada em alguns exemplos de pesquisas de email e suas possíveis soluções com comandos simples:
• Tenho centenas de emails  não lidos em minha caixa de entrada do Gmail, mas nem todas aparecem na página principal. Como consigo visualizar apenas as mensagens não lidas do GMail?
label:inbox is:unread
• Meu primo me enviou um arquivo em PDF no mês passado, e eu não consigo localizá-lo na caixa de entrada. Como encontrar este PDF?
from:Nome_do_primo nome_do_arquivo:pdf after:2009/06/01
(sempre no formato yyyy/mm/dd)
• Recebi um email do suporte do Skype semana passada. Não tenho certeza se apaguei a mensagem, se arquivei ou se marquei como spam.
from:Skype in:anywhere
• Não tenho tempo de checar todas as mensagens agora. Me mostre apenas os emails enviados diretamente a mim:
is:unread after:2009/07/20 to:seu_email@gmail.com
• Mariana me manda muitos emails com anexos interessantes. Adoro as mensagens mas tomam muito espaço.
from:Mariana has:attachment [Selecione todas e delete, se for o caso]
• Deletei um email importante de um colega. A lixeira do GMail já está cheia. Como recuperar aquela mensagem em especial?
label:trash Nome_do_Seu_Colega
• Uso o GMail para fazer backup de arquivos Zipados de minha empresa Parmalat. Quero deletar os backups mais antigos que 2 semanas.
filename:.zip before:2009/07/06 parmalat
• Conversando no Google Talk, Paula me enviou um link de suas fotos no Flickr.
in:chat from:paula flickr.com
• Mostre-me todos os emails de meu Chefe que ele marcou como Urgente ou Importante.
from:Nome_do_Chefe subject:(Urgent Important) ou from:Nome_do_Chefe subject:(Important)
• Tenho dois contatos no GMail com nomes parecidos – Pedro Silva e Pedro Silva Junior. Posso ver os emails recebidos apenas do Junior?
from:Pedro Silva -Junior
Atalhos de busca: Em vez de digitar label:unread, você pode simplesmente digitar l:^u

terça-feira, 8 de março de 2011

Antes, ser pai era ensinar. Hoje, ser pai é aprender.

NIZAN GUANAES 

Júnior 



Se quiser pensar diferente, ver como o mundo está mudando, ouça seus filhos, seus netos, a turma deles

NASCI EM 9 de maio de 1958, numa casa bem modesta no Carmo.
Tem gente que tem vergonha de sua origem. Eu tenho muito orgulho. O chão da nossa casa era de cimento, não havia água encanada. Tomávamos banho a partir de uma lata de água esquentada no fogo, usando a embalagem de queijo prato como cuia.
Inesquecível.
Televisão e refrigerante, só aos sábados. Meu avô era comunista ferrenho, me botava para ler Castro Alves, Monteiro Lobato.
São essas coisas que dão forma à vida. Você é o que você é. A sua história é a sua maior diferença. O que só você pode contribuir será sempre a sua maior contribuição ao longo da sua vida toda.
Hoje, tenho 52 anos, e tudo isso ecoa numa carcaça cada vez mais velha. Ter 52 anos é chato, mas a outra opção é dramática...
Passei 157 dias no exterior no ano passado. Vendo, ouvindo, me reciclando e aprendendo.
Sou de 1958, e não há quem seja de 58 que não precise de uma boa reforma.
Sou um homem de meia-idade.
Tenho gastrite, quase uma hérnia de disco, refluxo, minha memória, principalmente a recente, se foi, minha vista é péssima.
Por causa do refluxo, meu médico disse que devo evitar gelo, água com gás, refrigerante, bebida, cigarro, pimenta, comidas condimentadas.
Ou seja, ele está pedindo a um baiano que seja um suíço.
Tudo na vida tem seu lado bom.
Eu, que sempre fui arrogante, intolerante, de péssimo humor, eu, que de tão mala, quando viajo sem mala, pago excesso, estou aprendendo com os anos a não me levar tão a sério.
Tenho três filhos. Uma menina de 25 anos e dois aborrecentes.
Os dois aborrecentes me botaram o apelido de Júnior. Porque, segundo eles, sou mais infantil e mais mimado do que eles dois.
Nem meu pior inimigo poderia ter me dado um apelido mais cáustico e mais cirúrgico.
É uma desmoralização e ao mesmo tempo uma graça ser chamado de Júnior.
Delícia maior é viajar com eles e ser esculhambado e desmoralizado na frente dos outros por criaturas que eu amo tanto.
Antes, ser pai era ensinar. Hoje, ser pai é aprender.
A última campanha do Itaú foi criada com eles. Eles me ensinam muito. Animam-me quando estou triste, baixam a minha bola quando estou me achando demais.
Adoro viajar sozinho com eles para descobrir o mundo em dimensões diferentes da minha. Passam semanas e dias inteiros comigo na China, em Roma, em Dubai, na Cidade do Cabo, na Sardenha.
Odeio e amo. Além de me chamarem de Júnior na frente das outras pessoas, no particular eles ainda me chamam de Juju.
Juju é a suprema desmoralização.
A verdade é que, como pai tardio, sou quase como um avô para meus filhos. E eles me renovam mais do que qualquer vitamina. Tantas vezes eles já me fizerem mudar de roupa, de cabelo, de pensamento.
A moral da história deste artigo é que, se você quer pensar diferente, se quer ver como o mundo está mudando, posicionar sua empresa na forma moderna, para que o futuro não seja uma ameaça, mas uma promessa, não contrate só consultores.
Ouça seus filhos, seus netos, a turma deles.
Eles esculhambam a gente, o nosso trabalho, os nossos clientes. Mas eles são ar puro entrando pela janela, guias para o presente e um atalho para o futuro.
A gente fica possesso na hora da esculhambação, dorme pensando e acorda iluminado.
E eu, Júnior, agradeço aos meus filhos por me desmoralizarem a cada segundo e me iluminarem a cada dia.


NIZAN GUANAES, publicitário e presidente do Grupo ABC, escreve às terças, a cada 15 dias, nesta coluna. 

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Metáforas de crimes influenciam formas de punição 

Estudo mostra que associações metafóricas como "besta" e "vírus" mudam a percepção das pessoas sobre uma mesma violência
HÉLIO SCHWARTSMAN
ARTICULISTA DA FOLHA 

Qual a solução para o crime? Pôr mais policiais nas ruas e trancafiar os bandidos ou investir em programas de renda e educação?
Não será surpresa constatar que as respostas das pessoas variam conforme padrões bem conhecidos.
Homens, por exemplo, tendem a ser mais policialescos do que mulheres; pessoas mais à esquerda costumam preferir medidas consideradas preventivas.
Pesquisadores da Universidade Stanford encontraram uma variável mais poderosa que o sexo ou as preferências políticas: as metáforas. A forma como descrevemos a criminalidade faz mais diferença nas respostas do que os demais fatores.
Paul Thibodeau e Lera Boroditsky mostraram num artigo de psicologia publicado esta semana na "PLoS One" que, se o crime é comparado a uma besta selvagem, aumentam as soluções repressivas; se estiver relacionado a um vírus, por exemplo, crescem as preventivas.
A primeira descrição estimula a ideia de caçar e enjaular e, por consequência, adotar leis mais duras. Já a segunda favorece a noção de que as causas reais devem ser buscadas, e a comunidade, inoculada contra o mal.
Por muito tempo, metáforas foram vistas como um floreio linguístico, no máximo um modo engenhoso para explicar conceitos abstratos.
Nos últimos anos, contudo, trabalhos em psicologia e neurociência vinham indicando que nós pensamos através de metáforas.
Autores importantes como George Lakoff chegaram a sustentar que metáforas têm existência física no cérebro.
O que a pesquisa de Thibodeau e Boroditsky mostra de forma empírica é que elas também são capazes de influenciar fortemente a forma como tentamos solucionar problemas complexos.
No experimento principal da dupla, 485 estudantes foram divididos em dois grupos. Cada um deles leu uma de duas versões de um texto sobre o aumento da criminalidade em Addison, uma cidade fictícia. As diferenças eram mínimas.
A primeira variante comparava o crime a uma "besta selvagem". A segunda usava a imagem de um "vírus". Em seguida, vinham dados estatísticos inventados.
Após ler o texto, os pesquisadores perguntaram aos estudantes como o problema poderia ser resolvido. Para 65%, a resposta era na linha do mais policiamento.
Entre os que leram a metáfora da besta, porém, 74% abraçaram a linha repressiva; contra 56% dos que receberam a versão vírus.
Experimentos com outras populações exploraram mais esses achados. Mostraram, por exemplo, que as pessoas não se dão conta do enquadramento metafórico que fazem dos crimes.
A maioria diz que chegou à conclusão que chegou a partir dos dados estatísticos.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

NEURO

SUZANA HERCULANO-HOUZEL - suzanahh@gmail.com

Que hora é hora de dormir?

Engana-se quem acha que pode mudar o horário de sono o tempo todo impunemente
VOCÊ JÁ DEVE TER NOTADO que costuma sentir sono mais ou menos no mesmo horário todas as noites. Uma questão de hábito, talvez?
Em parte, sim: adormecer tem um componente de condicionamento, uma associação entre estímulos específicos e sempre um mesmo resultado, o sono. Por isso as recomendações de pediatras e neurologistas quanto a bons hábitos de sono fazem sentido: ter uma rotina (aquele banho mais longo à noite, seguido pela roupa especial de dormir e pelo apagar das luzes), dormir bem alimentado (para não acordar com fome no meio da noite), só deitar na cama na hora de dormir, não ficar brincando de joguinhos eletrônicos excitantes na cama.
Sexo, claro, "pode": embora seja estimulante, a tendência para homens e mulheres é relaxar física e mentalmente a seguir, e adormecer logo.
Engana-se, contudo, quem acredita que pode mudar impunemente o horário de sono o tempo todo. Trocar o dia pela noite constantemente é péssimo para o cérebro.
Não só se perdem várias horas de sono no processo, que cobram a conta depois (com aquela sensação de cansaço e falta de atenção), como os ritmos internos do corpo, temperatura, metabolismo e produção de hormônios ficam desencontrados com o sono.
Para crianças, sobretudo, vale o que as avós diziam: é durante o sono que se cresce.
O pico de produção de hormônio do crescimento acontece no início da noite; se não se está dormindo nessa hora, perde-se a dose do dia.
Além disso, há um horário interno mais propício ao sono de cada um. Assim como variações genéticas determinam se você é louro ou moreno, claro ou escuro, outras variações conhecidas podem fazer com que você naturalmente tenda a adormecer cedo e acordar de madrugada (esses são os matutinos), ou, ao contrário, a adormecer especialmente tarde e só acordar lá pelas dez da manhã (os vespertinos).
Para essas pessoas, acordar fora do horário "normal"" (no sentido estatístico) é quase doloroso. A diferença está nos genes que regulam a hora do dia em que nosso relógio autônomo interno troca o modo "dormir" pelo modo "acordar". Funciona até na mosquinha da banana: basta uma variação genética para transformá-las em madrugadeiras ou notívagas.
Se você é um desses casos fora da norma, portanto, respeite-se. Mais difícil, contudo, é conseguir o respeito dos outros...

SUZANA HERCULANO-HOUZEL, neurocientista, é professora da UFRJ e autora de "Pílulas de Neurociência para uma Vida Melhor" (ed. Sextante) e do blog www.suzanaherculanohouzel.com 

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

À meia-noite levarei seu sono

À meia-noite levarei seu sono

NA VOLTA ÀS AULAS, TEENS RELUTAM EM LARGAR A INTERNET E IR PARA A CAMA 

IURI DE CASTRO TÔRRES
DE SÃO PAULO 

Com poucas variações, a história é a mesma. "Pareço um zumbi", "É difícil voltar à rotina", "Dormia às 5h e acordava às 13h" etc.
É, voltar ao ritmo escolar, com intermináveis aulas que começam antes das 8h, enquanto o dia brilha lá fora e sua cama chama, não é mole.
Mas quem são os inimigos da rotina saudável de sono dos teens? A resposta é fácil: a internet, o celular e, é claro, a internet no celular.
"Essa geração está cada vez mais conectada", diz Silvana Leporace, coordenadora de orientação educacional do colégio Dante Alighieri. "Dormem com o celular ao lado e ficam trocando mensagens com os amigos."
Para Cristiano Nabuco, coordenador do programa de dependentes de internet do Instituto de Psiquiatria da USP, "os adolescentes espirram do controle dos pais." "Eles não dormem, a internet é um apelo muito forte."
Segundo Silvana, isso atrapalha o aprendizado, pois a fixação do conteúdo ocorre durante o sono.
Matheus Monteiro, 17, de Santos (SP), por exemplo, é um madrugador confesso. "Nas férias, ia até as 6h fácil, fácil", conta. Como é professor de informática, o garoto passa horas fuçando novas ferramentas on-line.
Como agora tem de pular da cama às 6h30 da madrugada, demora a acordar "de verdade". É a mesma situação de Guilherme Bighetti, 16, de São Paulo, que "zumbiza" durante as primeiras aulas do dia. "Tenho que jogar água gelada na cara."
A técnica para disfarçar as olheiras é a maquiagem, e a estratégia para espantar os bocejos é música alta no caminho para a escola. Ainda assim, eles dificilmente escapam de um cochilo em aula.
Também é comum tentar compensar, aos sábados e domingos, as horas de sono perdidas. É quando os teens "hibernam". Stefanie Egedy, 15, dorme até depois do almoço. "Vale a pena", atesta.
"Sento em frente ao computador e esqueço da vida, nem vejo o tempo passar", diz Brenda Amanda, 16.
A impressão do tempo "voar" faz sentido do ponto de vista científico. Segundo Nabuco, o córtex pré-frontal, parte do cérebro que controla os impulsos e é sede da razão e do conhecimento, ainda não é totalmente desenvolvido nos adolescentes.
Por isso, de acordo com o médico, é mais difícil saber a hora de desconectar e ir contar carneirinhos para dormir no mundo real.

"Internet não é inimiga, mas precisa de controle", diz médico

DE SÃO PAULO 

Para Cristiano Nabuco, coordenador do programa de dependentes de internet do Instituto de Psiquiatria da USP, a internet não é uma inimiga, mas é necessário controlar seu uso.
Três sinais de que a rede está atrapalhando a sua vida são: você esconde o número de horas que fica conectado, fica apreensivo de ir a lugares sem internet e deixa de fazer atividades cotidianas, como esportes ou sair com os amigos, para ficar on-line.
"Não dá para ficar acordado a noite toda e não conseguir levantar de manhã", diz.
Segundo Gustavo Moreira, pediatra e pesquisador do Instituto do Sono, o ser humano foi feito para dormir no escuro, e a luz do computador e da TV confundem tudo.
"A luminosidade age no centro de sono do cérebro, responsável por organizar o ciclo de descanso. Ele passa a entender que não escureceu e fica desperto", diz.
O resultado é mau humor, irritação e pouca concentração nos estudos. (ICT)

EFEITOS DA FALTA DE SONO 

Saiba por que não é legal ficar zumbi de manhã

  Dificuldade para fixar novos conteúdos na escola

  A longo prazo, causa obesidade, pois você passa a comer mais

  Mau humor constante

  Dificuldade para operar equipamentos de forma adequada, como carros ou motos

ENTRE NO RITMO 

  Respeite seu horário de sono: durma cedo para acordar cedo

  Faça atividades físicas regularmente, mas evite-as depois que escurecer

  Evite sonecas durante o dia

domingo, 17 de outubro de 2010

Confianzas

Poesía: Juan Gelman

se sienta en la mesa y escribe

"con este poema no tomarás el poder" dice
"con estos versos no harás la revolución" dice
"ni con miles de versos harás la revolución" dice

y más: esos versos no han de servirle para 
que peones maestros hacheros vivan mejor
coman mejor o él mismo coma viva mejor
ni para enamorar a una le servirán

no ganará plata con ellos
no entrará al cine gratis con ellos
no le darán ropa por ellos
no conseguirá tabaco o vino por ellos

ni papagayos ni bufandas ni barcos
ni toros ni paraguas conseguirá por ellos
si por ellos fuera la lluvia lo mojará
no alcanzará perdón o gracia por ellos

"con este poema no tomarás el poder" dice
"con estos versos no harás la revolución" dice
"ni con miles de versos harás la revolución" dice
se sienta a la mesa y escribe

terça-feira, 12 de outubro de 2010

NOTAS SOBRE GAZA

NOTAS SOBRE GAZA

NOTAS SOBRE GAZA
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R$ 55,00
Previsão de lançamento: 29/10
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Uma década depois de ter surpreendido o mundo com seus relatos em quadrinhos sobre o conflito entre israelenses e palestinos - que lhe valeram um American Book Award em 1996 -, Joe Sacco volta à Faixa de Gaza para realizar seu projeto mais ambicioso até aqui: resgatar do esquecimento quase completo dois episódios ocorridos quase cinquenta anos antes.
Em novembro de 1956, nas cidades de Khan Younis e Rafah, centenas de civis foram mortos pelo exército israelense em uma incursão militar que tinha tudo para ser uma operação rotineira de captura de guerrilheiros palestinos. Segundo um dos poucos relatórios da ONU disponíveis, os soldados teriam simplesmente entrado em pânico ao deparar com uma multidão em fuga. Já de acordo com o primeiro-ministro israelense, as tropas teriam entrado em confronto com rebeldes armados, muito embora não tenha ocorrido uma única baixa entre suas fileiras.
Em Notas sobre Gaza, Joe Sacco mergulha nos escombros de um conflito que parece não ter fim para reconstituir alguns dos eventos mais importantes para a escalada de violência em que se transformou a relação entre israelenses e palestinos.

Terapia familiar é a mais eficaz para tratar anorexia

Resultados de sessões individuais foram comparados aos da técnica que envolve pais e irmãos de paciente

Pesquisa das universidades de Stanford e Chicago avaliou a recuperação de jovens dos dois sexos 

JULIANA VINES
DE SÃO PAULO 

A terapia familiar é duas vezes mais eficaz no tratamento da anorexia nervosa do que a terapia individual.
Uma pesquisa da Universidade de Stanford em parceria com a Universidade de Chicago, nos EUA, comparou os dois tipos de tratamentos em 121 pacientes de 12 a 18 anos.
Aqueles que tiveram apoio e acompanhamento de pais e irmãos se recuperaram mais rapidamente e melhor.
Para Ester Zatyrko Schomer, psicóloga clínica e terapeuta familiar do Ambulatório de Bulimia e Transtornos Alimentares (Ambulim) do Hospital das Clínicas da USP, tratar a família toda é mesmo mais eficaz do que acompanhar apenas o paciente.
"A rotina familiar pode ter relação com a determinação ou a continuidade da doença. Essa é a terapia mais abrangente, porque cada um descobre o que precisa fazer para ajudar."
Uma pessoa com anorexia é capaz de desestabilizar toda a casa. Em geral, quando os pais procuram ajuda para os filhos, eles mesmos já estão precisando de apoio.
"Eles se sentem impotentes e já estão cansados. Isso gera conflitos, agressões das duas partes e perda do diálogo", diz a médica psiquiatra Maria Angélica Nunes, coordenadora do Grupo de Estudos e Assistência aos Transtornos Alimentares (Geata), de Porto Alegre.
A forma mais comum do tratamento familiar coloca o paciente, irmãos e pais na mesma sessão. A primeira lição que os pais aprendem é que eles não são e nem devem se sentir culpados.
"Há muitas causas para um transtorno alimentar. É impossível falar em culpados. Os pais precisam recuperar a autoestima e a autoridade. Eles são as melhores pessoas para orientar e ajudar os filhos doentes", afirma Liliane Kijner Kern, médica psiquiatra do Programa de Orientação e Assistência a Transtornos Alimentares (Proata) da Unifesp.
Em uma das sessões, por exemplo, todos são convidados a almoçar no consultório. O terapeuta assiste a tudo e apoia os conselhos dos pais para reforçar a autoridade.

ERROS
Segundo Kern, sem orientação, muitas vezes as famílias tomam rumos errados. Há, segundo ela, duas atitudes comuns que só fazem alimentar a doença. A primeira delas é insistir para que o paciente coma.
"É uma guerra sem solução. Os pais tentam argumentar sobre a comida, o número de calorias e não adianta. A doença é sempre mais forte", diz a psiquiatra.
Outro problema é ceder às exigências do paciente. Quem tem um transtorno alimentar tenta controlar a alimentação da família toda e faz chantagens para isso. "Ceder só fortalece o mau comportamento do paciente", explica a médica.
Todos os integrantes da família precisam estar abertos ao diálogo, esquecer as cobranças e fazer acordos.
"Firmamos um acordo sobre como vai ser a alimentação naquela semana, e precisamos da família para fiscalizar se o cardápio está sendo cumprido. É um plano discutido e firmado entre o paciente, o terapeuta e a família. Essa é a maior ajuda que a família pode dar", afirma a nutricionista Fernanda Pisciolaro, da Associação Brasileira paro o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso).

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

19 DE SETEMBRO: 20 ANOS DE SUS

Armando Raggio (1)
Marcio Almeida (2)
Neste ano, o dia 19 de setembro não deve passar desapercebido. Em 19/9/1990, há 20 anos, era assinada a Lei 8080, a Lei Orgânica da Saúde, regulamentando o Sistema Único de Saúde (SUS), criado pela Constituição Federal de 1988. Com ela, “quase” era concluído um ciclo de intensos debates e mobilizações que envolveram os segmentos sociais e políticos de todos os Estados, em particular do Paraná.

O “quase” se deve aos vetos do Presidente Collor ao projeto de lei votado no Congresso, cujo texto tratava dos objetivos, atribuições, princípios, diretrizes, organização, direção e gestão do novo sistema de saúde. Foram necessários mais três meses de muita pressão social, política e muita capacidade de articulação do Ministro da Saúde da época, Alceni Guerra, para que uma outra Lei, a 8142, fosse assinada em 28/12/1990, dispondo sobre a participação da comunidade na gestão do SUS e sobre as transferências intergovernamentais de recursos financeiros na área da saúde.

Nestes 20 anos houve uma verdadeira revolução na saúde brasileira. Basta lembrar que antes da Lei 8080, a legislação dizia que aos municípios brasileiros só competia “organizar serviços de Pronto Socorro, principalmente aos indigentes”. É claro que em muitas cidades, com destaque para Curitiba, Londrina, Cambe, Ibiporã e Araucária, as novas diretrizes e princípios da Lei já vinham sendo postos em prática, em caráter experimental, desde a segunda metade da década de 1970.

Tempos de ditadura militar... Tempos de MDB X ARENA... Mas foram aqueles embates que fortaleceram as convicções de gerações de jovens profissionais de saúde que foram aos poucos sendo convidados por prefeitos e governadores para assumirem as tarefas de secretários de saúde. A ponto de criarem, em 1987, em Londrina, durante o IV Encontro de Municípios sobre Saúde, o Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde (CONASEMS), ator político que desempenhou importante papel na elaboração e aprovação da Lei 8080, da 8142 e que até hoje é um reconhecido interlocutor das políticas de saúde.

Apesar dos avanços, das conquistas, a saúde continua sendo um problema crítico para milhões de brasileiros. Estão aí os debates e as plataformas políticas dos candidatos nas eleições deste ano para confirmar a afirmativa. Isso acontece, em parte, porque a dívida sanitária acumulada nas décadas anteriores a de 1990 era enorme. Basta lembrar o fato de que antes de 19/9/1990 ainda tínhamos a figura dos “indigentes” na nossa realidade. Ou seja, milhões de cidadãos de segunda categoria. Que não deixaram de existir do dia para a noite. Lembramo-nos que mesmo assim encontrávamos, vários anos seguidos, em impressos dos hospitais universitários e filantrópicos, a categoria de “indigente ou não contribuinte”.

Registramos os 20 anos da Lei. Devemos comemorar as conquistas que ela propiciou. Mas precisamos também trabalhar pela sua atualização. Defendemos a revisão da Lei Orgânica da Saúde. Novos modelos de atenção, novos modelos de gestão precisam ser implantados. Desta vez, de baixo para cima. Ou seja, dos municípios para os estados e destes para a União. Por isso propomos um amplo movimento pela criação de Leis Orgânicas Municipais de Saúde. Na nossa opinião, uma boa forma de comemorar os 20 anos da regulamentação do SUS.
(1) Médico. Secretário Municipal de Saúde de São José dos Pinhais
(2) Médico. Consultor nas áreas de saúde e educação. Londrina