segunda-feira, 20 de junho de 2011

Você no Parlamento - Sua vontade, sua cidade.

Você no Parlamento - Sua vontade, sua cidade.

Consulta pública começa nesta quarta-feira (15/6)
De 15 de junho a 15 de agosto, toda a população poderá escolher quais medidas devem ser priorizadas pelo poder público em 2012 em 18 temas.

Prezado(a)
A Rede Nossa São Paulo e a Câmara Municipal de São Paulo convidam você para participar da campanha "Você no Parlamento", que contempla a realização de uma ampla consulta pública para que os cidadãos escolham suas prioridades para a cidade em 2012, nas diferentes áreas de atuação do poder público municipal.
O objetivo desta campanha é, essencialmente, fazer com que gestores públicos direcionem seus trabalhos a partir das reais necessidades da sociedade que os elegeram.
A consulta será realizada por meio do site www.vocenoparlamento.org.br, disponível a partir de amanhã (15/6), e também por meio de questionários impressos que serão distribuídos nas 31 subprefeituras da cidade e outros postos de distribuição (ver relação abaixo).
As questões apresentadas abordam vários aspectos da vida das pessoas na cidade e estão baseadas na pesquisa IRBEM (Indicadores de Referência de Bem-Estar no Município) realizada pelo IBOPE/Rede Nossa São Paulo. São 29 questões e 18 temas importantes para a qualidade de vida dos paulistanos: Inclusão para pessoas com deficiência, Assistência social para pessoas e grupos em risco social, consumo e meio ambiente, cultura e lazer, desigualdade social, educação, esporte, habitação, infância e adolescência, juventude, saúde, segurança, sexualidade, tecnologia da informação, terceira idade, trabalho, transparência e participação política e transporte e mobilidade.
A campanha "Você no Parlamento" terá duração de dois meses - entre 15/6 e 15/8 - e o resultado da pesquisa será tabulada pelo Instituto Ibope e entregue a cada um dos 55 vereadores na segunda quinzena de setembro.
As prioridades mais votadas pela população orientarão o trabalho dos 55 vereadores da Câmara Municipal em 2011/2012 nas três dimensões de atribuições da Câmara:
* Prioridades eleitas que podem e devem transformar-se em Projetos de Lei;

* Prioridades eleitas que podem e devem transformar-se em Emendas ao Orçamento para 2012;

* Prioridades eleitas que podem e devem transformar-se em Ações Legislativas de Fiscalização do Poder Executivo.

Os procuradores legislativos e consultores técnicos legislativos da Câmara Municipal participarão na organização da base de dados e conseqüente formulação de propostas.
Para atingir o maior número de pessoas na cidade, é necessária uma ampla divulgação da Consulta Pública. Para isso, solicitamos o seu apoio e de todas as organizações, entidades sociais, escolas, empresas, igrejas, telecentros, universidades que tem interesse em participar desta iniciativa.
Formas de mobilização
1) Inserir o banner da campanha em seus sites e portais. Ao clicar no banner você terá acesso ao site www.vocenoparlamento.org.br e ao questionário on-line;

Clique aqui para acessar o banner para a internet:

http://www.vocenoparlamento.org.br/divulgacao/banner-voce-no-parlamento.jpg

Veja aqui como linkar o banner em seu site: www.vocenoparlamento.org.br/divulgacao/exemplo-banner-voce-no-parlamento.html

2) Distribuir os cartazes nos locais de trabalho, escolas, associações de bairro, igrejas, universidades, telecentros, etc. Os cartazes poderão ser retirados nos postos de distribuição dos questionários impressos. A RNSP e a Câmara Municipal autorizam a reprodução do cartaz, desde que sejam inseridos seus logotipos como realizadores da campanha. Exemplo: a empresa ou organização que tiver interesse em reproduzir os cartazes, poderá inserir também o seu próprio logotipo como apoiador da campanha;

Clique aqui para acessar a arte do cartaz:

www.vocenoparlamento.org.br/divulgacao/cartaz-voce-no-parlamento-410x610.pdf

3) Estimular seus colaboradores, parceiros, clientes e fornecedores a responderem o questionário on-line e a divulgarem a campanha;

4) Estimular seus amigos, parentes e colegas de trabalho a preencherem o questionário on-line e a divulgarem a campanha;

5) Multiplicar a divulgação da campanha em seus mailings, sites, malas diretas, jornais e revistas corporativas;

6) Divulgar a campanha nas redes sociais:

Twitter: "#vocenoparlamento: participe e escolha agora as prioridades para São Paulo. www.vocenoparlamento.org.br"

Facebook: Apoie a causa Você no Parlamento no Facebook: http://www.causes.com/causes/619986-voc-no-parlamento

7) Divulgar o link da campanha na assinatura do seu e-mail.

Compartilhe conosco suas ideias e ações - nós as divulgaremos em nosso site!

Os questionários impressos serão distribuídos nas 31 subprefeituras da cidade. Em breve será disponibilizado no site da Rede Nossa São Paulo (www.nossasaopaulo.org.br) a relação da pessoa responsável pela distribuição dos questionários impressos em cada uma das 31 subprefeituras.

O questionário respondido deverá ser entregue no mesmo local que você o retirou ou para a pessoa de quem você o recebeu até o dia 15 de agosto.

Esta iniciativa é um avanço na concretização do IRBEM (indicadores de referência de bem-estar no município) como orientador de políticas públicas, e um precedente importante para avançarmos nas práticas de democracia participativa.

Sua participação é fundamental, assim como a sua contribuição na divulgação e mobilização para que grande parte da população possa participar da consulta pública.

Participe!! Divulgue esta iniciativa!!

Abraços,

Zuleica Goulart

Coordenadora de Mobilização

Secretaria Executiva - Rede Nossa São Paulo

domingo, 19 de junho de 2011

Folha de S.Paulo - Aumente sua energia - 14/06/2011

Folha de S.Paulo - Aumente sua energia - 14/06/2011

aumente sua energia

Por Juliana Vines

AROMAS QUENTES
Termine seu banho da manhã com uma 'baldada' de óleos essenciais. Em 2 l de água morna, misture uma colher (café) de óleo de amêndoas doces, duas gotas de óleo de gengibre e duas de óleo de palma rosa, para ativar a circulação e hidratar. A fórmula é da aromaterapeuta Sâmia Maluf. Para "aquecer" o ambiente, use num difusor 10 gotas de óleo de tangerina, 10 de canela e 10 de gengibre.

ESFREGA-ESFREGA
No frio, a pele se retrai, o que diminui a disposição. O coreógrafo e bailarino Ivaldo Bertazzo, da Escola do Movimento, reverte isso com um ritual de esfregação. Antes ou depois do banho, use uns seis minutos para escovar o corpo, caprichando nas articulações ou onde sente alguma dor. Você mesmo deve controlar a força das escovadas, para se aquecer sem machucar, dilatando os vasos sanguíneos. "Você fica menos defendido, menos retraído." Prefira escovas de cerdas sintéticas. "Tem uma moda de cerdas naturais, mas elas são piores, ficam sujas."

BANHO DE SOL
Dias mais curtos e menos luminosos são uns dos maiores culpados pelo desânimo do inverno. Nessa época, há uma maior liberação de melatonina, o hormônio do sono. Deixar a casa bem iluminada desde cedo é um antídoto, afirma a neurologista Dalva Poyares, do Instituto do Sono da Unifesp. Outra dica é aproveitar o máximo de sol possível. "A energia tem muita relação com a luminosidade. A luz estimula nosso marca-passo de alerta."

CHÁ DE ESTÍMULO
Quem esquece (ou tem preguiça) de tomar água no frio não pode deixar de tomar chá. A professora de ioga Vanessa De Luca recomenda um chá de gengibre com canela, dois ingredientes estimulantes. A nutricionista Andréa Andrade, da RG Nutri Consultoria, alerta para a importância de manter a hidratação nesta época.

HORA DE MALHAR
Cada um tem uma hora favorita para fazer exercícios. A explicação é o relógio biológico e a secreção de hormônios relacionados a um maior estado de alerta. Preste atenção no seu perfil e obedeça seu horário, seja na manhã ou à tarde. Outra sugestão, do fisiologista Paulo Zogaib, da Unifesp, é fazer atividade física nos horários mais quentes do dia (no inverno, do meio-dia até 14h).

PACOTE ANTICÂIMBRA
Aquela contração muscular repentina, de causa desconhecida, mas associada ao esforço do exercício físico, pode aumentar no inverno. Quem tem predisposição deve caprichar numa dieta rica em minerais como sódio, potássio, magnésio e cálcio. Pera, tâmara, papaia, abóbora, camarão e feijão-azuqui são indicados.

RECOMPENSA
A ginástica ajuda a liberar endorfinas, neurotransmissores que têm ação analgésica, anti-inflamatória e que diminuem a ansiedade e o mal estar. Quanto maior o tempo de atividade, maior a liberação da substância, diz o fisiologista Paulo Zogaib, da Unifesp. "Quando não fazemos exercício, a secreção é pequena e nem percebemos os benefícios." Para quem é sedentário, 30 minutos já podem fazer diferença. Quem já faz algum exercício deve tentar diferentes intensidades.

DESENFERRUJE
A variação de temperatura diminui a elasticidade das articulações, explica o ortopedista Arnaldo José Hernandez, diretor da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte. É por isso que, no frio, acordamos mais travados. Logo que acordar, mexa-se devagar para aquecer músculos e articulações. Se for fazer uma atividade física, o aquecimento deve começar bem mais leve e durar mais alguns minutos do que você está acostumado.

RESPIRAÇÃO LOCOMOTIVA
Não precisa ser iogue para aproveitar o benefício do bhastrika (respiração de fole), exercício respiratório que acelera os batimentos cardíacos e aquece o corpo. Sente-se com a coluna ereta e inspire e expire o ar rapidamente (imitando o barulho de uma locomotiva). Ao soltar o ar, recolha o abdome para expirar mais rápido. É como uma sanfona acelerada. Faça isso por 30 segundos e volte a respirar normalmente. Se estiver se sentindo bem, pode repetir duas vezes, diz Vanessa De Luca, professora de ioga da YogaFlow.

ESCALDA-PÉS
Eduardo Knapp/Folhapress
Se seus pés insistem em virar pedras de gelo à noite, jogue-os na água quente. Em três litros de água morna, coloque uma colher (sopa) de óleo vegetal de copaíba, cinco gotas de óleo de gengibre e cinco gotas de óleo de laranja. Deixe bolinhas de gude ou seixos no fundo da bacia, para massagear as solas. Diminui o cansaço e prepara para o sono.

BATE-BATE
Bata com um bastão de madeira no corpo todo: ombros, pescoço e costas. O bastão pode ser um pedaço de cabo de vassoura. Os movimentos devem ser intensos e a força, de acordo com o seu bem-estar. A sugestão, de Ivaldo Bertazzo, é para gerar mais elasticidade na musculatura e deixar ela menos encurtada. Outra ideia é bater os pés no chão como se estivesse sapateando, mas sem sapatos.

CARDÁPIO TERMOGÊNICO
Há alimentos que aceleram o metabolismo, são os chamados termogênicos. Estão na lista a pimenta, o café, o chá-verde e o gengibre. "Tente colocar mais pimenta nos pratos de sempre", recomenda a nutricionista funcional Daniela Jobst.

EXPIRE...
Em vez de inspirar mais fundo, tente expirar mais fundo. Faça uma contagem: inspire em três segundos e expire em oito. Faça isso sentado ou deitado, com a coluna ereta, e repita várias vezes. O exercício ajuda a eliminar toxinas do organismo, de acordo com Ivaldo Bertazzo.

ANTIDEPRESSÃO
O aminoácido triptofano, presente em alguns alimentos, é um precursor da serotonina, neurotransmissor que ajuda a regular o humor e dá a sensação de bem-estar e prazer. Se consumimos a substância, aumentamos a quantidade de serotonina no organismo. É quase uma ação antidepressiva. Há triptofano na banana, no chocolate e em cereais integrais, diz a nutricionista Paula Gandin.

SEM SESTA
Feijoada ou lasanha são mais atrativos no inverno, porque precisamos de mais calorias. Mas, por causa da gordura saturada, são de difícil digestão e dão sono. "A energia do corpo todo é direcionada para a digestão", diz a nutricionista funcional Daniela Jobst. Para matar a vontade de gordura e manter a disposição,coma frutas oleaginosas (nozes, macadâmia) e chocolate meio amargo.

AUTOMASSAGEM
Experimente manobras do Do-In para vitalidade (veja ilustração). Comece com dois pontos nas costas (B23 e B52), que ativam os rins. Esses órgãos guardam a vitalidade, na visão da medicina chinesa, diz o mestre de Do-In Juracy Cançado. Com o dorso das mãos, esfregue a área por dois minutos. Outro ponto fica na sola dos pés (R1). Com o polegar da mão oposta, massageie-o para frente e para trás. O último fica no joelho (E36) e é chamado de três milhas ""os chineses dizem que dá energia para correr. Com os dedos e a base das mãos, aperte os pontos e as juntas do joelho por dois minutos.

DOSES DE ENERGIA
Fazer lanchinhos de três em três horas mantém o metabolismo sempre ativo, explica a nutricionista Andréa Andrade.Uma boa forma de fornecer energia ao corpo é consumir carboidratos (barrinhas de frutas, cookies integrais, frutas secas ou naturais). Os integrais são melhores porque são digeridos mais lentamente, o que gera energia contínua, e são ricos em vitaminas do complexo B, importantes para o metabolismo energético.

DESJEJUM DIFERENTE
Teste receitas energéticas no café da manhã. Que tal um suco feito de gengibre batido com limão e açúcar? O gengibre também pode incrementar a vitamina de frutas. Tente usar iogurte natural em vez de leite. Outra ideia é levar uma banana ao forno com melaço de cana, gergelim e amendoim torrado. A nutricionista Paula Gandin sugere ainda um creme de abacates, que pode ser feito salgado ou doce. "O abacate é mal visto por ser calórico, mas a gordura dele ajuda a diminuir o colesterol."

SEM GORDURA
Quem tem o hábito de comer antes de dormir deve evitar alimentos gordurosos. A sugestão da nutricionista Andréa Andrade é preparar leite desnatado com especiarias, como cravo e canela. "O leite é rico em cálcio e tem triptofano, substância que ajuda no sono, além de ser quentinho e dar um conforto térmico."

CHOQUE TÉRMICO
Essa acorda qualquer um, o difícil é ter coragem. Fique 20 minutos em uma banheira com água a mais ou menos 30 graus. Depois, use o chuveirinho para dar jatos de água gelada no corpo, de baixo para cima, por uns 30 segundos. Quem não tem banheira pode tomar uma ducha gelada no fim do banho, ensina Mariela de Oliveira Silveira, médica do Spa Kurotel. A mudança brusca de temperatura ativa a circulação, aumenta a disposição e a imunidade.

FOLHA.com
Leia os depoimentos e veja as fotos de quem madruga na academia até no frio
folha.com/eq928328

Veja o ritual de esfregação feito pelo coreógrafo Ivaldo Bertazzo
folha.com/eq928443

Folha de S.Paulo - TENDÊNCIAS/DEBATES
Oded Grajew: Você no Parlamento - 19/06/2011

Folha de S.Paulo - TENDÊNCIAS/DEBATES<br>Oded Grajew: Você no Parlamento - 19/06/2011

Você no Parlamento

ODED GRAJEW


Ao cobrar resultados, cada cidadão tem a oportunidade de fazer a sua parte para que São Paulo se torne uma cidade justa e sustentável


Até o dia 15 de agosto, a população da cidade de São Paulo tem a possibilidade de contribuir para melhorar sua própria qualidade de vida. Essa oportunidade se oferece graças à parceria entre a Rede Nossa São Paulo e a Câmara Municipal de São Paulo, que viabilizou o projeto "Você no Parlamento".
A base do projeto é o Irbem (Indicador de Referência para o Bem-Estar nos Municípios), elaborado pela Rede Nossa São Paulo, constituído por série de indicadores escolhidos por grupos de trabalho temáticos e por especialistas em diversas áreas e validados por uma ampla consulta popular, que envolveu mais de 36 mil cidadãos paulistanos.
Anualmente, a Rede Nossa São Paulo pergunta à população qual é seu grau de satisfação com esses indicadores. O resultado tem sido altamente insatisfatório (na última pesquisa, numa variação de 1 a 10, a nota média foi de 5). Diante dessa realidade, que demanda providências concretas, a Câmara Municipal de São Paulo se disponibilizou para colaborar na melhoria da qualidade de vida na cidade.
Para que o projeto tenha legitimidade e eficácia, a população poderá responder a um questionário, disponível no sitewww.vocenoparlamento.org.br e nas 31 subprefeituras, indicando quais são os indicadores que compõem o Irbem que ela considera prioritários.
O questionário é subdividido em 18 temas, como inclusão para pessoas com deficiência, meio ambiente, assistência social, cultura e lazer, saúde, esporte, infância e adolescência, habitação, segurança, trabalho, transporte e mobilidade, entre outros.
A Câmara se compromete a considerar a escolha dos indicadores como base das ações que estão dentro de sua competência, ou seja, elaborando projetos de lei, intervindo na discussão do Orçamento, para realocar recursos, e solicitando formalmente ao prefeito medidas concretas para que as demandas prioritárias para a população possam ser contempladas.
O resultado da pesquisa e as ações empreendidas pela Câmara Municipal serão divulgados para toda a sociedade.
Os países que possuem os melhores indicadores de qualidade de vida são aqueles em que a democracia participativa mais avançou, nos quais a sociedade e as organizações sociais mais participam nas decisões e no acompanhamento das políticas públicas, fazendo prevalecer o interesse público acima dos interesses corporativos.
O projeto "Você no Parlamento" vai exatamente nessa direção. Ao preencher o questionário, ao divulgar o projeto na sua comunidade, no seu local de trabalho, nos espaços públicos e privados (cartazes estão disponíveis na Câmara e na Nossa São Paulo), ao cobrar resultados, cada cidadão tem a oportunidade de fazer a sua parte para que São Paulo se torne uma cidade justa e sustentável.
São Paulo foi a primeira cidade do Brasil a aprovar a lei das metas, proposta pela Rede Nossa São Paulo e acolhida e aprovada pela Câmara Municipal. Outras 23 cidades seguiram o mesmo caminho e uma proposta de emenda constitucional está tramitando no Congresso Nacional para que essa lei seja aplicada para presidente, governadores e prefeitos de todo o país.
No mesmo sentido, o projeto "Você no Parlamento" pode servir de referência para uma nova relação entre sociedade civil e as instituições legislativas em âmbito municipal, estadual e nacional, estimulando a participação dos cidadãos e a atuação dos legisladores para promover o bem-estar de todos os brasileiros.

ODED GRAJEW, 67, empresário, é coordenador-geral da secretaria-executiva da Rede Nossa São Paulo e presidente emérito do Instituto Ethos. É idealizador do Fórum Social Mundial, idealizador e ex-presidente da Fundação Abrinq. É integrante do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES). Foi assessor especial do presidente da República (2003).

Folha de S.Paulo - Uso do aquífero pode durar só 50 anos - 19/06/2011

Folha de S.Paulo - Uso do aquífero pode durar só 50 anos - 19/06/2011

Uso do aquífero pode durar só 50 anos

Afirmação é de especialista que vê superexploração do Guarani na cidade e falta de ações efetivas de proteção

Superintendente do Daerp nega existência do problema e defende que o uso do manancial seja apenas doméstico

GABRIELA YAMADA
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA,
DE RIBEIRÃO PRETO


A falta de ações efetivas para evitar a atual superexploração do aquífero Guarani -única fonte de abastecimento de Ribeirão- pode tornar o uso da água do manancial inviável dentro de meio século na cidade.
Para o engenheiro químico Paulo Finotti, presidente da Soderma (Sociedade de Defesa Regional do Meio Ambiente) e vice-presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Pardo, o grande problema está na falta de mata ciliar.
Ele afirma, porém, que o uso excessivo de agrotóxicos nas plantações e os loteamentos feitos antes de estudos sobre a área de recarga do aquífero, na zona leste, que impermeabilizam o solo, também são prejudiciais.
O consumo, segundo ele, é 13 vezes maior que a recarga, de acordo com estudos do Projeto Aquífero Guarani.
Anualmente, são retirados 57,6 bilhões de litros de água do aquífero na cidade, e a perda do Daerp (Departamento de Água e Esgoto de Ribeirão) chega a 60%, segundo Finotti -a autarquia, no entanto, estima em 40%.
Análise do geógrafo Maurício Moreira Santos, professor da Universidade Federal do Maranhão, diz que há uma dificuldade para a recarga do aquífero na cidade: a chuva que cai na zona leste demora até um dia para percorrer um centímetro em direção ao manancial.
O superintendente do Daerp, Joaquim Ignácio da Costa Neto, diz, porém, que não existe superexploração.
Segundo ele, que defende que o uso do manancial seja exclusivamente doméstico, há 103 poços artesianos do Daerp, contra os 400 particulares, que são liberados pelo Daee (Departamento de Águas e Energia Elétrica). Do total dos particulares, pelo menos metade é clandestino.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Folha de S.Paulo - Luiz Felipe Pondé: Meu irmão Kierkegaard - 13/06/2011

Folha de S.Paulo - Luiz Felipe Pondé: Meu irmão Kierkegaard - 13/06/2011

LUIZ FELIPE PONDÉ

Meu irmão Kierkegaard


Somos um nada que ama. Tanto a angústia como o amor são "virtudes práticas" que demandam coragem

QUANDO VOCÊ estiver lendo esta coluna, estarei em Copenhague, Dinamarca, terra do filósofo Soren Kierkegaard (1813-1855), pai do existencialismo. Ao falarmos em existencialismo, pensamos em gente como Jean-Paul Sartre, Simone de Beauvoir, Albert Camus, tomando vinho em Paris, dizendo que a vida não tem sentido, fumando cigarros Gitanes.
O ancestral é Pascal, francês do século 17, para quem a alma vive numa luta entre o "ennui" (angústia, tédio) e o "divertissement" (divertimento, distração, este, um termo kierkegaardiano).
O filósofo dinamarquês afirma que nós somos "feitos de angústia" devido ao nada que nos constitui e à liberdade infinita que nos assusta.
A ideia é que a existência precede a essência, ou seja, tudo o que constitui nossa vida em termos de significado (a essência) é precedido pelo fato que existimos sem nenhum sentido a priori.
Como as pedras, existimos apenas. A diferença é que vivemos essa falta de sentido como "condenação à liberdade", justamente por sabermos que somos um nada que fala. A liberdade está enraizada tanto na indiferença da pedra, que nos banha a todos, quanto no infinito do nosso espírito diante de um Deus que não precisa de nós.
O filósofo alemão Kant (século 18) se encantava com o fato da existência de duas leis. A primeira, da mecânica newtoniana, por manter os corpos celestes em ordem no universo, e a segunda, a lei moral (para Kant, a moral é passível de ser justificada pela razão), por manter a ordem entre os seres humanos.
Eu, que sou uma alma mais sombria e mais cética, me encanto mais com outras duas "leis": o nada que nos constitui (na tradição do filósofo dinamarquês) e o amor de que somos capazes.
Somos um nada que ama.
A filosofia da existência é uma educação pela angústia. Uma vez que paramos de mentir sobre nosso vazio e encontramos nossa "verdade", ainda que dolorosa, nos abrimos para uma existência autêntica.
Deste "solo da existência" (o nada), tal como afirma o dinamarquês em seu livro "A Repetição", é possível brotar o verdadeiro amor, algo diferente da mera banalidade.
É conhecida sua teoria dos três estágios como modos de enfrentamento desta experiência do nada. O primeiro, o estético, é quando fugimos do nada buscando sensações de prazer. Fracassamos. O segundo, o ético, quando fugimos nos alienando na certeza de uma vida "correta" (pura hipocrisia). Fracassamos. O terceiro, o religioso, quando "saltamos na fé", sem garantias de salvação. Mas existe também o "abismo do amor".
Sua filosofia do amor é menos conhecida do que sua filosofia da angústia e do desespero, mas nem por isso é menos contundente.
Seu livro "As Obras do Amor, Algumas Considerações Cristãs em Forma de Discursos" (ed. Vozes), traduzido pelo querido colega Álvaro Valls, maior especialista no filósofo dinamarquês no Brasil, é um dos livros mais belos que conheço.
A ideia que abre o livro é que o amor "só se conhece pelos frutos". Vê-se assim o caráter misterioso do amor, seguido de sua "visibilidade" apenas prática.
Angústia e amor são "virtudes práticas" que demandam coragem.
Kierkegaard desconfia profundamente das pessoas que são dadas à felicidade fácil porque, para ele, toda forma de autoconhecimento começa com um profundo entristecimento consigo mesmo.
Numa tradição que reúne Freud, Nietzsche e Dostoiévski (e que se afasta da banalidade contemporânea que busca a felicidade como "lei da alma"), o dinamarquês acredita que o amor pela vida deita raízes na dor e na tristeza, afetos que marcam o encontro consigo mesmo.
Deixo com você, caro leitor, uma de suas pérolas:
"Não, o amor sabe tanto quanto qualquer um, ciente de tudo aquilo que a desconfiança sabe, mas sem ser desconfiado; ele sabe tudo o que a experiência sabe, mas ele sabe ao mesmo tempo que o que chamamos de experiência é propriamente aquela mistura de desconfiança e amor... Apenas os espíritos muito confusos e com pouca experiência acham que podem julgar outra pessoa graças ao saber."
Infelizes os que nunca amaram. Nunca ter amado é uma forma terrível de ignorância.

ponde.folha@uol.com.br

terça-feira, 31 de maio de 2011

Folha de S.Paulo - Passado em branco - 31/05/2011

Folha de S.Paulo - Passado em branco - 31/05/2011

PASSADO EM BRANCO

Pode apostar: quem diz se lembrar de fatos ocorridos antes de seus quatro anos de vida está confundindo histórias ouvidas com memória própria; pesquisa mostra que esquecemos da nossa infância ainda crianças

Alexandre Rezende/Folhapress
Rafael Agulha de Freitas

JULIANA VINES
DE SÃO PAULO

A história começa com um tombo, uma viagem em família, uma briga na escola por volta dos quatro, cinco anos. Antes disso, nada.
"Desconhecemos e esquecemos muitos aspectos da nossa vida. É muito provável que você saiba pouco sobre si mesmo", diz Fani Hisgail, psicanalista.
E é justo a infância, tão saudosa e cantada pelos poetas, a época mais esquecida.
Ironia biológica? Os especialistas chamam de amnésia infantil, e não tem nada a ver com lapsos de memória, mas com os quatro primeiros anos de vida que parecem ter sido apagados com borracha.
"Sim, pode-se dizer que perdemos parte da nossa infância", afirma à Folha Carole Peterson, pesquisadora da Memorial University of Newfoundland, no Canadá.
Peterson coordenou uma pesquisa, publicada no começo do mês na revista "Child Development", sobre memórias de infância.
No estudo, 140 crianças entre quatro e 13 anos foram convidadas a contar suas primeiras memórias (fizemos o mesmo com quatro pessoas, leia depoimentos nesta e nas páginas seguintes).
Dois anos depois, as crianças da pesquisa tiveram que contar novamente as lembranças mais antigas e estimar quantos anos tinham quando tudo aconteceu.
As mais novas trocaram as memórias velhas por mais recentes. As maiores mantiveram as mesmas lembranças. Moral da história: esquecemos a infância enquanto ainda somos crianças.
Não há dúvida que crianças conseguem armazenar informações, segundo Martín Cammarota, pesquisador em neurofisiologia da PUC-RS.
"Elas sabem o que aconteceu ontem ou anteontem, mas são lembranças de curta duração."
A neurociência não tem certeza de por que isso acontece. Uma das hipóteses é que o cérebro ainda não estaria pronto para gravar memórias à tinta, de acordo com Rodrigo Neves Pereira, pesquisador da Universidade Federal do Rio Grande do Norte.
"É como se as crianças escrevessem a lápis no disco rígido da memória."
Estruturas cerebrais responsáveis por processar e arquivar informações não estão totalmente desenvolvidas aos dois anos ou três anos.
Na mesma direção, o neurocientista Ivan Izquierdo argumenta que, nessa idade, não dominamos totalmente a linguagem.
"As memórias de antes dos três anos são gravadas em códigos não linguísticos, que não fazem sentido depois que somos adultos."
Não por acaso, lembranças mais claras coincidem com o início da alfabetização. Algumas pessoas, porém, desenvolvem essa capacidade mais cedo. Mistérios.

SELEÇÃO INCONSCIENTE
"Amnésia infantil não tem relação com o amadurecimento do cérebro", diz logo de cara Renata Petri, psicanalista professora da Unifesp.
Para a psicanálise, parte da infância é esquecida porque as lembranças são conflitantes, dolorosas. "Aquilo que traz conflito elimina-se da consciência e vai constituir o inconsciente."
Nessa visão, o ser humano sofre os efeitos dessas memórias encobertas pelo resto da vida, mesmo sem conseguir lembrá-las. Daí viriam alguns medos e traumas.
"É comum estabelecermos a relação entre acontecimentos de infância e traumas futuros, mas não se pode reduzir a ideia de trauma a isso", afirma Fani Hisgail.
A neurologia até concorda que memórias esquecidas podem, sim, interferir na formação de novas lembranças, mas tem uma visão diferente do que é o inconsciente.
"São memórias que não estão ativas o suficiente para serem lembradas, mas que, mesmo assim, influenciam outros circuitos", comenta Gilberto Xavier, pesquisador em neurofisiologia da USP.
A influência do passado sobre o futuro esbarra em outro ponto: a competição entre acontecimentos. Não há como prever quais fatos serão lembrados a longo prazo. Depende do quanto prestamos atenção a eles, do excesso de informações e de fatores afetivos.
"Aspectos emocionais moldam a aquisição de memórias, influenciam a razão. É o que chamamos de erro de Descartes", diz Pereira.
Tombos, cortes e acidentes físicos são mais marcantes por motivos biológicos, de acordo com Xavier. "Você se lembra de um acidente para ter condições de evitá-lo. Biologicamente, esse é o sentido da memória." Parece simples. Mas, cada vez que um fato é resgatado, acrescenta-se um aspecto, uma ponta no novelo.
Depois de recordar algumas vezes acontecimentos distantes, é quase impossível separar a verdade do mito. "Criamos falsas memórias, e não há nada de patológico nem de malvado nisso", pondera Izquierdo.
É a mentira que não é mentira. Para a psicanálise, não importa. "Tudo é interpretação. Toda memória é uma leitura sem contato direto com a realidade", diz Preti.
Cada nova experiência resignifica a anterior. "De certa forma, o futuro influencia o passado."

domingo, 29 de maio de 2011

Uma pedra no caminho da gestante

PLANTÃO MÉDICO

JULIO ABRAMCZYK - julio@uol.com.br

Uma pedra no caminho da gestante

A reunião anual da "Digestive Disease Week - 2011", realizada entre os dias 7 e 10 de maio em Chicago, nos EUA, mostrou abordagens diferentes para algumas doenças do aparelho digestivo. 
Médicos da universidade de Washington observaram que o excesso de ingestão de carboidratos e frutose às refeições, na gravidez, aumenta o risco de surgirem cálculos biliares nas gestantes.
Segundo os pesquisadores, problemas relacionados a pedras na vesícula biliar são frequentemente causa não obstétrica de internação hospitalar de mulheres, um ano após o nascimento do bebê.
A repercussão de problemas emocionais no estômago e nos intestinos é um importante e muito bem estudado capítulo da medicina psicossomática. 
na reunião, foi discutida a possibilidade de muitos pacientes (e às vezes seus médicos) confundirem distúrbios intestinais como diarréias e gases, em episódios repetitivos, a intolerância à lactose (pessoas que não podem tomar leite ou comer seus derivados), quando, na realidade, representam a repercussão no organismo de problemas emocionais. 
Destacaram que, no caso de não ser identificada a origem do distúrbio, as pessoas devem evitar dieta isenta de laticínios pela possibilidade de surgir deficiência de cálcio no organismo, o que contribui para o surgimento da osteoporose. 
outro estudo apresentado analisou os benefícios de exames de sangue para detectar preventivamente doentes assintomáticos, mas portadores da doença celíaca. 
ela provoca distúrbios intestinais pela intolerância ao glúten, uma proteína encontrada no trigo, no centeio, na cevada, na aveia e no malte. 
Seus portadores devem excluir das refeições alimentos com glúten.
essa pesquisa mostrou que pacientes aparentemente assintomáticos apresentavam sintomas subclínicos e qualidade de vida reduzida ao consumir alimentos com glúten em sua composição. 

PRÊMIO
o instituto do Câncer do estado de São Paulo, em parceria como Grupo Folha, estabeleceu o Prêmio Octavio Frias de oliveira, neste ano Em sua 2ª edição, visando incentivar a pesquisa nacional na área da prevenção e do tratamento do câncer. 
As inscrições podem ser feitas até o dia 1º de julho. informações:
www.icesp.org.br/premio/regulamento.pdf.

Novo método tem maior taxa de sucesso contra o cigarro

Novo método tem maior taxa de sucesso contra o cigarro

Tratamento à base de remédios faz mais ex-fumantes, com menos recaídas

Sistema atinge 55% de eficácia, mas deixa de lado a terapia, que aumenta as chances de vencer a dependência 

CLÁUDIA COLLUCCI
DE SÃO PAULO

Um novo modelo de tratamento do tabagismo desenvolvido no InCor (Instituto do Coração) tem feito mais pessoas pararem de fumar, com menos chances de recaídas. 
Cerca de 25 milhões de brasileiros acima de 15 anos são fumantes, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). 
Chamado de PAF (Programa de Assistência ao Fumante), O modelo envolve três etapas: um diagnóstico mais preciso do grau de dependência, uma combinação de medicamentos e o uso de uma escala em que o médico vai medindo e tratando o desconforto causado pela abstinência do cigarro. 
A cardiologista Jacqueline Scholz Issa, criadora do método, que está há 18 anos à frente do ambulatório de tratamento do tabagismo do InCor, diz que a taxa de eficácia do programa, no período de um ano, é de 55% -contra 34% da que existia cinco anos atrás. Os índices de desistência e de recaída caíram de 40% para 26%. 
Esses primeiros resultados, obtidos a partir de 400 pacientes atendidos, foram apresentados à comunidade científica internacional em congresso no Canadá. 
Eles também serviram de base para a elaboração de um software, que pode ser acessado via internet por médicos de todo o país. Centros públicos terão acesso grátis.

EMOÇÕES
O sistema permite saber quantos fumantes desistiram do tratamento, quantos sofreram efeitos colaterais dos remédios, quantos tiveram sucesso ou recaídas e quais as causas dos insucessos.
Ele também permite que o médico avalie melhor o grau de dependência do tabaco, levando em conta não só o número de cigarros fumados, mas também as emoções (prazer, ansiedade, tristeza) associadas a ele.
A partir desses dados, Issa desenvolveu uma metodologia de tratamento que considera, entre outras coisas, o grau de desconforto do paciente durante o período de abstinência. 
"É a partir disso que se associa ou não medicamentos. 
O tratamento vai sendo ajustado de acordo como grau de desconforto e é totalmente individualizado", explica. 
As drogas mais utilizadas são a vareniclina (Champix) e a bupropiona (Zyban), além de adesivos e gomas de nicotina.
Antidepressivos também podem ser usados. 

TERAPIA
O programa não envolve abordagens de terapia cognitiva comportamental -o que é recomendado em programa do governo federal. Segundo Issa,uma boa relação entre o Médico e o paciente já garante o suporte necessário na fase de abstinência. 
O tratamento dura, em média, três meses e demanda de quatro a cinco consultas. "O follow up [acompanhamento] também pode ser feito por telefone ou por e-mail", diz. 
Médicos que trabalham com tratamento de tabagismo dizem que as taxas de sucesso do PAF são superiores às verificadas em outros centros, entre 30 e 40%. 
"Os resultados são maravilhosos", resume a psiquiatra Analice Gigliotti, chefe do setor de dependência química da Santa Casa do Rio.
O pneumologista Ricardo Meirelles, do Inca (Instituto Nacional do Câncer), diz ter gostado da proposta do PAF e do fato que ela considera que, mesmo pessoas que fumam pouco, podem ter alto grau de dependência. 
Ambos acreditam, porém, que as chances de a pessoa abandonar o vício são maiores quando o tratamento inclui, além da medicação, abordagens de terapia cognitiva comportamental -técnica através da qual a pessoa tenta entender melhor suas emoções e modifica seu modo de agir.



Só 10% das cidades do Brasil têm programas para tratar tabagismo

DE SÃO PAULO

Pouco mais de 10% dos municípios brasileiros têm programas de tratamento do tabagismo na rede pública de saúde. São 700 cidades de um total de 5.565.
Além de 30 centros ligados aos governos estaduais, desde 2004 o Ministério da Saúde Tem um programa que fornece às secretarias municipais de saúde as medicações (bupropiona e repositores de nicotina,como adesivos) e os manuais utilizados em sessões com abordagens terapêuticas, que discutem a dependência.
O ministério também avalia o custo e a efetividade de fornecer a medicação vareniclina (Champix) no SUS.
Em contrapartida, os municípios devem garantir uma estrutura de atendimento ao fumante e prestar contas de suas ações.
Entre as exigências, estão a contratação de profissionais capacitados, locais para atendimento individual e sessões de grupo e a garantia de fornecimento de equipamentos e de exames necessários durante o tratamento.
A unidade de saúde também deve ser livre de tabaco -ninguém pode fumar no seu interior.

DESINTERESSE
Segundo o pneumologista Ricardo Meirelles, da Divisão de Controle do Tabagismo do Inca (Instituto Nacional de Câncer), a principal dificuldade na expansão do programa tem sido a falta de interesse dos municípios em investir nos tratamentos.
"Falta conhecimento. Estamos avaliando uma forma de sensibilizar os gestores dos municípios que ainda não fazem parte do tratamento do tabagismo", diz ele.
Além disso, Meirelles afirma que há uma dificuldade grande em fazer com que o paciente freqüente o programa até o fim do tratamento.
O Inca ainda não tem dados consolidados sobre as taxas de sucesso e de recaídas verificadas nos municípios que tratam o tabagismo.
(CC) 



DEPOIMENTO

"Já acordava pensando em cigarro"

Isadora Brant/Folhapress
A dentista Léa Márcia Fogaça, 51, que fumou por 40 anos

DE SÃO PAULO

A dentista Léa Márcia Fogaça, 51, fumou por quase 40 anos. Depois de várias tentativas, pensa que, agora, vai abandonar o vício.

 

"Comecei a fumar aos 12 anos, minha avó me ensinou.
Naquela época, era comum reunir minhas tias e primas e todas fumavam.
Como tempo, minha média passou a ser um maço por dia.Fumava em todas as situações, só parava quando estava atendendo os pacientes.
Mesmo assim, acada intervalo, corria para fumar um cigarrinho.
Fumava até a hora de dormir e já acordava pensando em cigarro.
Há cinco anos resolvi parar.
Meu marido deixou o cigarro há 11 anos e fazia pressão para que eu parasse também. Em casa, eu só fumava na varanda.
Tentei várias vezes fazer isso sozinha, mas não consegui.
Sou estressada, ansiosa, e o cigarro sempre foi meu porto seguro.
Cheguei a fazer um tratamento com Champix, mas tive que interromper. Tenho fibromialgia e, na época, as dores musculares ficaram intensas e minha médica pediu para cortar o remédio.
Consegui ficar um ano sem fumar, mas, não resisti.
A vontade foi maior. Há cinco meses, resolvi tentar de novo, dessa vez com esse método [PAF]. Começamos com o Champix, depois associamos a fluoxetina [antidepressivo] e, por último, a bupropiona.
Só depois desses ajustes É que consegui lidar melhor com a abstinência. Não estou mais tão ansiosa.
De vez em quando, sinto vontade, especialmente em ambientes sociais com pessoas fumando e bebendo ou em situações de mais estresse.
Mas,dessa vez, sinto que é para valer." 




terça-feira, 17 de maio de 2011

18 de maio: Comitê Nacional de Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescenteslança texto base para inicio de atividades alusivas a data


18 de maio
Comitê Nacional lança texto base para inicio de atividades alusivas a data

O Comitê Nacional de Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes divulgou em seu sítio o texto base que vai nortear as atividades alusivas ao 18 de maio, Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes.
A data foi escolhida durante o 1º Encontro do "End Child Prostitution, Child Pornography and Trafficking of Children for Sexual Purposes" (ECPAT) realizada na Bahia. As 80 entidades participantes votaram pelo dia em memória a Aracelli Cabrera Sanches Crespo, que morreu no dia 18 de maio de 1973 após ser brutalmente violentada. Na época seus violadores, membros influentes da sociedade capixaba, foram absolvidos.
A data tornou-se oficial no País através da Lei N° 9.970 sancionada em 17 de maio de 2000.
Leia a seguir a integra do documento base:

Texto Base – 18 de Maio 2011
O “Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes”, instituído pela Lei Federal 9.970/00, no dia 18 DE MAIO, é uma conquista que demarca a luta pelos Direitos Humanos de Crianças e Adolescentes no território brasileiro.  Esse dia foi escolhido, porque em 18 de maio de 1973, na cidade de Vitória (ES), um crime bárbaro chocou todo o país e ficou conhecido como o “Crime Araceli”.  Esse era o nome de uma menina de apenas oito anos de idade, que teve todos os seus direitos humanos violados. Esse crime, apesar de sua natureza hedionda, até hoje está impune. A intenção do 18 DE MAIO é destacar a data para mobilizar, sensibilizar, informar e convocar toda a sociedade a participar dessa luta.

A violência sexual praticada contra a criança e o adolescente envolve vários fatores de risco e vulnerabilidade quando se considera as relações de geração, de gênero, de raça/etnia, de orientação sexual, de classe social e de condições econômicas. Nessa violação, são estabelecidas relações diversas de poder, nas quais pessoas e/ou redes satisfazem seus desejos e fantasias sexuais e/ou tiram vantagens financeiras e lucram usando, para tais fins, as crianças adolescentes. Nesse contexto, a criança ou adolescente não é considerada sujeito de direitos, mas um ser despossuído de humanidade e de proteção.  A violência sexual contra meninos e meninas ocorre tanto por meio do abuso sexual intrafamiliar ou interpessoal como na exploração sexual.   Crianças e adolescentes vítimas de violência sexual podem estar vulneráveis e tornarem-se mercadorias e assim serem utilizadas nas diversas formas de exploração sexual como: tráfico, pornografia, prostituição e exploração sexual no turismo. 

As violações dos direitos humanos sexuais de crianças e adolescentes não se restringem a uma relação entre vítima e autor. Essas violações ocorrem (e são provocadas) pela forma como a sociedade está organizada em cada localidade e globalmente. Podem ser destacadas, nesse aspecto, as atividades turísticas que não consideram os direitos de crianças e adolescentes, facilitando ações de exploração sexual. Nesse contexto, também estão os grandes empreendimentos que, quando não assumem a sua responsabilidade social, causam impactos nos contextos locais potencializando a gravidez na adolescência, o aumento de doenças sexualmente transmissíveis, o estímulo ao uso de drogas e a entrada e permanência de meninas e meninos nas redes de exploração sexual.

O enfrentamento à violação de direitos humanos sexuais de crianças e adolescentes pressupõe que a sexualidade é uma dimensão humana, desenvolvida e presente na condição cultural e histórica de homens e mulheres, que se expressa e é vivenciada diferentemente nas diversas fases da vida. Na primeira infância, a criança começa a fazer as descobertas sexuais e a notar, por exemplo, diferenças anatômicas entre os sexos. Mais à frente, com a ocorrência da puberdade, passa a vivenciar um momento especial da sexualidade, com emersão mais acentuada de desejos sexuais. Nessas fases iniciais do desenvolvimento da sexualidade (infância e adolescência), é fundamental a atenção, a orientação e a proteção a partir do adulto. Nenhuma tentativa de responsabilizar a criança e o adolescente pela violação dos seus direitos pode ser admitida pela sociedade.

Aos adultos, além da sua responsabilidade legal de proteger e defender crianças e adolescentes cabe-lhes o papel pedagógico da orientação, acolhida buscando superar mitos, tabus e preconceitos oferecendo segurança para que possam reconhecer-se como pessoa em desenvolvimento e envolverem-se coletivamente na defesa, garantia, e promoção dos seus direitos.

Queremos convocar todos – família, escola, sociedade civil, governos, instituições de atendimento, igrejas, universidades, mídia – para assumirem o compromisso no enfrentamento da violência sexual, promovendo e se responsabilizando para com o desenvolvimento da sexualidade de crianças e adolescentes de forma digna, saudável e protegida.

18 de Maio - Dia Nacional de Combate ao Abuso e a Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes


Comitê lembra no Dia Nacional de Combate à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes que índices continuam alarmantes

A solenidade de abertura da mobilização nacional acontecerá no Palácio do Planalto. Na oportunidade, entidades e pessoas que atuam no enfrentamento à violência sexual infanto juvenil serão agraciados com o Prêmio Neide Castanha de Direitos Humanos de Crianças e Adolescentes

O respeito aos direitos sexuais de crianças e adolescentes é um ideal a ser alcançado no Brasil. Segundo dados do Disque 100, de maio de 2003 - data em que o serviço entrou em funcionamento - até março deste ano, foram registradas 66.982 denúncias envolvendo situações de violência sexual praticadas contra crianças e adolescentes. É importante ressaltar que, cada uma das denúncias pode representar que houve uma ou mais formas de violência praticadas contra uma ou mais pessoas. O Estado que aparece com o maior número de denúncias, de maio de 2003 a março de 2011, é a Bahia com 7.708 casos, logo após vem São Paulo, 7.297 e Rio de Janeiro com 5.563.

Por essa razão, o Comitê Nacional de Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes mobiliza toda a sociedade no 18 de maio, Dia Nacional de Combate ao Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. Esse ano, a programação nacional inicia como solenidade no Palácio do Planalto, com a presença de representantes do Governo e sociedade civil.

Dados de 2010
Em 2010, foram registrados 12.487 casos de violência sexual contra crianças e adolescentes, segundo dados do Disque 100. Este ano, apenas no primeiro trimestre, foram registrados 4.205 casos.

A maioria das vítimas são do sexo feminino
Os dados do Disque Denúncia, referentes ao período de janeiro a fevereiro de 2011, demonstram que o maior número de vítimas de violência sexual são do sexo feminino, representando 78% das vítimas.

Quando comparado com outros tipos de violência, como negligência e violência física ou psicológica, esses números praticamente se equivalem entre o sexo masculino e o sexo feminino. Quando comparada com as mais variadas formas de violência sexual, praticadas contra crianças e adolescentes, o sexo feminino ainda corresponde à maioria das vítimas: exploração sexual 80%, tráfico de crianças e adolescentes 67%, abuso sexual 77% e pornografia 69%.

18 de maio
Essa data, 18 de maio, foi escolhida como o Dia Nacional de Combate ao Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes em virtude de um crime bárbaro ocorrido em Vitória (ES). No dia 18 de maio de 1973, Aracelli Cabrera Sanches Crespo, de nove anos, foi violentamente assassinada, o seu corpo foi encontrado seis dias depois completamente desfigurado e com sinais de abuso sexual. Os responsáveis pelo crime nunca foram responsabilizados, por se tratarem de filhos de pessoas influentes da cidade. Essa data foi definida a partir da lei nº 9.970, 17 de maio de 2000.

Faça Bonito
O enfrentamento à violência sexual contra crianças e adolescentes tem como símbolo a flor amarela. Com o slogan Faça Bonito. Proteja Nossas Crianças e Adolescentes os representantes da sociedade civil e governo querem sensibilizar a todos para a beleza e a fragilidade da infância e adolescência. Dessa forma, o que se pretende é fazer com que todos assumam a responsabilidade na proteção de crianças e adolescentes.

Karina Figueiredo
Secretária Executiva do Comitê Nacional de Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes
Fone: (61) 3347-8524

Leila Paiva
Coordenadora do Programa Nacional de Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes
Fone: (61) 2025-9907

terça-feira, 19 de abril de 2011

Folha de S.Paulo - Abuso de álcool cresce e tabagismo cai - 19/04/2011

Folha de S.Paulo - Abuso de álcool cresce e tabagismo cai - 19/04/2011

Abuso de álcool cresce e tabagismo cai

Pesquisa do Ministério da Saúde mostra que consumo excessivo de bebida está aumentado mais entre as mulheres

Levantamento ouviu 54 mil pessoas; número de homens fumantes está em queda e o de mulheres, estável


ANGELA PINHO
DE BRASÍLIA

O consumo abusivo de álcool está crescendo no Brasil, principalmente entre as mulheres. A constatação é de pesquisa divulgada ontem pelo Ministério da Saúde.
O levantamento foi feito a partir de 54 mil entrevistas por telefone com pessoas de mais de 18 anos nas 27 capitais do país. O percentual de brasileiros que bebem em excesso passou de 16,1% em 2006 para 18% em 2010.
O problema atinge mais os homens. Em 2010, 26,8% deles abusavam de álcool. Em 2006, eles eram 25,5%.
Foi entre as mulheres, no entanto, que se deu o aumento mais expressivo: a taxa passou de 8,2% para 10,6% nos últimos quatro anos. Com base em critérios da OMS (Organização Mundial da Saúde), o ministério considerou como consumo excessivo a ingestão de pelo menos cinco doses em uma mesma ocasião por mês para homens ou pelo menos quatro doses para mulheres.
Para Amadeu Roselli Cruz, do Instituto de Ciências Biológicas da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), o aumento do consumo de álcool na população feminina está ligado à inserção das mulheres no mercado de trabalho e nas universidades.
"A igualdade de gênero se estende a campos positivos e negativos. Comportamentos que eram tidos como tipicamente masculinos passam a ser adotados pela mulher."
De acordo com Amandio Fernandes, membro da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica, pesquisas mostram que o álcool aumenta o risco de câncer de mama, esôfago, boca, faringe e laringe.

TABAGISMO
A pesquisa do Ministério da Saúde mostra ainda que o tabagismo continua em declínio no país, mas tem encontrado resistência maior entre as mulheres, ainda que o número de fumantes seja superior entre os homens.
Entre 2006 e 2010, a proporção de fumantes caiu de 16,2% para 15,1%. Em 1989, quando o IBGE realizou uma pesquisa semelhante, o percentual era de 34,8%.
Nos últimos anos, no entanto, a queda se deu apenas entre os homens -de 20,2% para 17,9% de 2006 a 2010. Entre as mulheres, o número ficou estável em 12,7%.
Entre elas, aumentou o percentual das que fumam mais de um maço por dia -de 3,2% para 3,6%. Entre os homens, houve queda.
O tabagismo também preocupa entre a população com menor instrução. Pessoas que têm só o ensino fundamental são as que mais fumam -18,6%, contra 10,2% das que têm nível superior.

Folha de S.Paulo - Da boca para dentro - 19/04/2011

Folha de S.Paulo - Da boca para dentro - 19/04/2011

Da boca para dentro


Cantar melhora a capacidade pulmonar, fortalece os músculos da barriga e do rosto, aumenta a resistência física e, ainda, relaxa; solte a sua voz


Daniel Marenco/Folhapress
Jane Tapxure, 62, canta em karaokê na Liberdade, em São Paulo

MANUELA MINNS
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Cantar é divertido, quem não sabe. E é bem mais que isso: mexe com várias partes do corpo, faz bem à saúde.
Para começar, quem canta melhora a capacidade pulmonar e o sistema imunológico, fortalece a barriga e alivia o estresse.
O professor Graham Welch, especialista em Educação Musical da Universidade de Londres e pesquisador, diz que o canto ativa o corpo e a mente.
Cantar é uma atividade física, psicológica, social e musical. Diferentes sistemas modulares no cérebro são usados para lidar com as características musicais do canto, como o tom, o ritmo e as letras, e integrá-las.
"Há um entrelaçamento dos sistemas nervoso, endócrino e imunológico", diz ele.
O sistema nervoso é responsável pelo ato de cantar. Há também um envolvimento emocional com o som humano, desenvolvido na fase fetal, e um diálogo da pessoa com seu corpo, seu sistema respiratório e os espaços que oferecerá para essa voz soar.
"Cantar não é só da boca para fora. Todo instrumento tem espaço interno e externo de ressonância, inclusive o corpo. A voz preenche o corpo, a melodia e a letra que escolhemos", diz a fonoaudióloga Mônica Montenegro, professora da USP.
A neurologista Paula Viana Wackermann, que desenvolveu pesquisa pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto com cantores líricos, diz que a atividade induz a um estado de prazer.
O nível de cortisol (hormônio do estresse) fica reduzido, não importando se a pessoa é afinada ou não.
"A sensação de bem-estar é aumentada pelo efeito sociopsicológico de fazer música como parte de um grupo", completa Welch.
Mesmo quem canta sozinho, acompanhando um CD ou iPod, sente esses benefícios. O sentido de se envolver em uma atividade compartilhada permanece.
"Cansei de chegar triste ao karaokê e sair de lá muito bem", diz Jane Tapxure, 62 anos, dona de um pet shop.
Com o fim do casamento de 30 anos, ela passou dois anos deprimida, chorando no sofá. Até que uma amiga a chamou para cantar.
Jane, que é fã de música italiana e Frank Sinatra, conta que voltou a sair de casa e a se arrumar. No karaokê, ela formou um grupo de amigos de idades variadas, que se encontra toda semana, comemora aniversários e faz festas temáticas, como Halloween e até do pijama.
"É uma farra. Lá você não é julgado por ninguém."

IMUNIDADE
A cantoria ativa os sistemas cardiovascular e respiratório. O aumento da ventilação e da capacidade pulmonar melhora o condicionamento físico e mental.
Os músculos abdominais ficam fortalecidos e os faciais, tonificados. Estudos sugerem que cantores têm sistema de defesa melhor.
"Acredita-se que estados mentais positivos e de relaxamento induzidos pelo canto sejam responsáveis por um aumento na secreção da imunoglobulina A, responsável pela defesa contra infecções bacterianas ou virais das vias aéreas superiores", explica a neurologista Paula Viana Wackermann.
Mesmo quem não quer ou não está em condições de soltar o gogó pode se beneficiar da cantoria alheia.
"Estudos apontam que escutar músicas prazerosas está relacionado à liberação de serotonina, que é o neuropeptídio da alegria, do prazer", afirma a neurologista Paula Wackermann.
O ato de fazer o bem ao próximo por meio do canto é praticado pelos hindus há séculos. As sessões de "kirtan", que são vocalizações de mantras em grupo, com instrumentos, são vistas como um ato de doação.

MEDITAÇÃO
A professora de canto indiano Ratnabali Adhikari, natural de Calcutá, Índia, explica que entoar mantras é um tipo de meditação.
Os mantras têm uma sequência sonora e uma representação significativa.
Quando cantados repetidamente, é como se mandássemos sinais positivos para os neurônios que, por sua vez, levam essa mensagem para o corpo todo.
"O mantra ajuda a focar a mente e deixá-la em equilíbrio com o corpo."
"Ao cantar em grupo, as pessoas fazem bem a si mesmas e, espalhando essa harmonia pelo universo, beneficiam todos os outros seres", diz Ratnabali, que vive há 30 anos no Brasil.
A professora afirma que é preciso inspirar profundamente e, na expiração, entoar o mantra.
A coluna deve estar ereta para a energia vital, chamada de prana, fluir.
Entender o que se está cantando e pronunciar direito as palavras para não trocar seus significados é legal, ajuda a potencializar os benefícios dos mantras, segundo a professora indiana.
Mas não é preciso falar sânscrito nem entender a letra para tirar proveito de uma boa cantoria.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

De como tipificar sonhos... - dtschezzi@gmail.com - Gmail

De como tipificar sonhos... - dtschezzi@gmail.com - Gmail

De como tipificar os sonhos
Ana Elisa Ribeiro
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Eu tinha uns sonhos bem explícitos, conscientes e nítidos. Mas tinha também outros bem vagos, daqueles que mal se desenham, quase não se revelam. Só depois que se afasta a chance de eles virarem algo mais palpável é que eles se configuram, já de costas, dando tchauzinho, descendo a ladeira.

Uns sonhos devem ter vindo comigo desde o zigoto. Esta coisa de nome feio é o "resultado da reprodução sexuada", como diz aí a Wikipédia. Foi quando me conceberam e nem sabiam. Talvez eu nem fosse um sonho ainda. E lá, naquele encontro de "dois núcleos haploides" de células compatíveis, algum sonho já surgia. Sonho, por exemplo, de nascer. Não sei.

A consciência de que a gente sonha aparece relativamente cedo. Com 4 ou 5 anos já se relata aos pais o movimento intenso da madrugada. Heróis, maremotos ou beijos de mãe povoam a noite das crianças. Mas esse sonho não vale. Esse aí é aquele que o Freud descreveu. Aquele que deve ter lá suas razões, mas que acontece mesmo, digamos assim. Sonho noturno é sonho. É aquela movimentação que mostra que o cérebro não apaga. É aquele mosaico de cenas (às vezes improváveis) que a gente pode esquecer que viveu quando acorda. Às vezes dá para contar aos outros; às vezes, não.

O sonho do qual eu trato é outro. É aquele que se parece com um desejo no futuro. Uma espécie de assunto que pode nos pautar por diversos ciclos da vida. Aliás, às vezes os ciclos é que se pautam por eles. Sonho de crescer e se casar (com um príncipe, claro). Sonho de ter uma casa com varanda. Sonho de ter o carro do ano. Sonho de ser bombeiro, médico, delegado. Sonho de viajar o mundo inteiro, inclusive pelos países menos servidos de aviões. Sonho de morar na cidade maior ou na menor. Sonho de ser velho com calma. Sonho de estudar grego clássico. Esse sonho é aquele que se mistura com o futuro que a gente queria ter. Um sonho dentro do outro. Uma espécie de promessa ou de provável frustração. Um tipo de cordão que une dois pontos, não necessariamente duas retas (aliás, geralmente curvas e loops). Esse sonho é aquele que a gente desenha para a professora do ensino fundamental. O sonho de burguês que todo mundo tem, exceto quem acha que é o dono dos sonhos. E a gente sabe que vai galgando a vida até achar esses sonhos realizados, em algum lugar do sótão.

Tem sonho que a gente percebe que está se transformando em realidade. Assim ó: vou estudando, me formando, aprendendo, correndo atrás, cumpro os exames, me aprovo, passo uns apertos, mas, quando me assusto, estou dedicando meu diploma de dentista à minha mãe. Esse é desse tipo de sonho em forma de escalada. Tem gente que sonha desde cedo. Tem gente que mistura com um elemento meio genético. Tem gente que não percebe que não está sonhando o próprio sonho (e acorda tarde demais). Mas tem gente que descobre que não sonhou, mas acaba curtindo.

Já outro tipo de sonho é difícil de escalar. Não tem cursinho, não tem exame, não tem concorrência, não tem aula particular, preparório específico, intensivão, café com guaraná, livro para adotar, manual de instruções. A gente vai se movendo, achando que está na direção certa, mas sabe lá para que lado esse sonho vai. Ele parece que está na frente, mas não está. Parece uma sala de espelhos de um parque barato. É sonho imprevisível.

Desse tipo há muitos. Como saber? Vai-se sonhando até que ele um dia baixa, que nem umdownload. Ou a gente percebe que passou o tempo e ele não aconteceu. Tem desses sonhos que dependem de rituais para a gente perceber. E nem sempre a gente está disposto aos rituais. Tem sonho que é arisco.

Eu sonhei muitas coisas difíceis e muitas pautas para a minha vida. Além de sonhar, eu sempre esperei que as coisas fossem ficar boas, tranquilas, confortáveis. Nem sempre elas ficaram. Nem sempre elas se comoveram comigo.

Viver muito não é um dos meus sonhos. Eu me pareço mais com alguém sem paciência do que com uma velhinha que rega flores. Até meus cactos morreram, que dirá qualquer outra coisa menos forte. E nem sonhei com heranças, descendência ou casamentos pomposos. Mas eu sonhei com uma alegria mais ou menos constante, e ela não aconteceu. Sonhei com cuidados parecidos com os que eu tinha na casa da minha mãe, e não aconteceu. Sonhei com livros, muitos livros, e, aí sim, venho compondo meu mosaico de impertinências. Vou comprando estantes, dividindo as prateleiras e lendo o que eu puder.

Eu tinha o sonho de ter uma grande biblioteca, com escadas rolantes, mas com vista bonita, de onde se pudesse ver a cidade piscando à noite. Não deu. Minha pequena biblioteca é térrea e de dentro dela mal se vê o muro do vizinho. Os sonhos vão se reduzindo, até caberem nos moldes da mediocridade da gente.

Tem sonho que é que nem sorte: se você não pega na hora, nunca mais aparece. Alguém precisa ensinar a gente a enxergar esse tipo de sonho esvoaçante. Ninguém ensina. Ou a gente percebe ou a gente só avalia a posteriori. É, passou. Já era (minha frase mais frequente, embora não seja minha preferida).

E tem um elemento importante: pesadelo travestido de sonho, que engana bem, ilude, se camufla e parece que vai levar a família inteira para um céu azul. Mas não vai. É só uma convulsão de precipícios que vai rolar bem na sua frente. E é difícil sair deles. Rodamoinho de vento sujo. Uma espécie de falta de opção.

Sonhar é um desses momentos da inteligência que a gente precisa promover. E precisa aprender a capturar.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Folha de S.Paulo - Buraco negro "mãe" do Universo teria a massa de 3.000 sóis - 11/04/2011

Folha de S.Paulo - Buraco negro "mãe" do Universo teria a massa de 3.000 sóis - 11/04/2011

Buraco negro "mãe" do Universo teria a massa de 3.000 sóis

Conta feita por físico polonês é tentativa de refinar sua hipótese contrária ao Big Bang como o início de tudo

Perturbações dentro de estrelas colapsadas gerariam um zoológico cósmico, com grande número de universos

SABINE RIGHETTI
DE SÃO PAULO

O útero cósmico no qual o nosso Universo teria sido gestado era um buraco negro da categoria peso-pesado, cuja massa seria equivalente a 3.000 vezes a do nosso Sol.
É isso o que propõe o físico polonês Nikodem Poplawski, da Universidade de Indiana, nos Estados Unidos.
Em artigo publicado no "ArXiv" (uma espécie de biblioteca eletrônica aberta, na qual os físicos costumam divulgar versões preliminares de suas pesquisas para apreciação da comunidade científica), ele apresentou o cálculo da massa necessária para que um buraco negro produza um Universo com as características do nosso.

NATIVIDADE
O polonês reacendeu a discussão sobre a possibilidade de o Cosmos ter "nascido" dentro um buraco negro ao longo do ano passado.
Ele publicou uma sequência de artigos sobre o tema no "ArXiv" e na revista "Physics Letters B", uma das mais importantes sobre física nuclear e de partículas.
Essas publicações confrontam a teoria do Big Bang, que define que o Universo teria surgido a partir da expansão de uma grande concentração de massa e energia, comparada a uma explosão.
A questão é que, quando se considera que o Big Bang é o início de tudo, é preciso postular que a expansão do Universo teria começado a partir de um ponto incrivelmente pequeno, de densidade e energia infinitas.
Para os físicos, esses infinitos são suspeitos, porque fica impossível investigar o que acontecia no momento inicial da expansão cósmica.
Uma das formas de resolver o problema é propor que o Big Bang não foi o começo de tudo o que existe, mas uma perturbação no interior de um buraco negro em outro universo, conforme defendido pelo cientista polonês.
Segundo Poplawski, todos os universos (já que haveria vários deles) estão dentro de buracos negros. E todos têm estrelas que, se altamente contraídas (quando seu combustível acaba), dariam origem a novos buracos negros -e a novos universos.
Os números da conta saíram de uma modificação da teoria da relatividade geral de Einstein (que Poplawski vem usando nos seus estudos com frequência).
"Outros trabalhos mostram que algo acontecia antes do Big Bang", disse Poplawski à Folha.
Ele, de fato, não está sozinho. "Poplawski não é o único a especular sobre o que poderia ter havido antes do Big Bang", afirma Roberto Belisário, físico formado pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).
"Entre os cosmólogos, o Big Bang já não é mais considerado o início da criação de tudo. Deve ter havido um "antes", assim como está havendo um depois", completa.
A repercussão sobre a nova proposta do físico polonês ainda está engatinhando.
"A teoria ainda é muito qualitativa. Só o tempo dirá qual ideia vencerá essa corrida", conclui Belisário.